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Casos especiais

Países com mais de uma capital

Uma dúzia de países espalha as funções de capital por mais de uma cidade. Nesses casos, apontar uma única resposta é quase sempre incompleto.

Existe um grupo de países em que a pergunta "qual é a capital?" não tem uma resposta única. Não se trata de dado impreciso nem de curiosidade marginal: são arranjos institucionais deliberados, escritos em constituições e leis, com décadas ou séculos de história. Este texto reúne os principais.

A lista, em uma tabela

Países com funções de capital divididas entre cidades
PaísCidades e funçõesOrigem do arranjo
África do SulPretória (executiva), Cidade do Cabo (legislativa), Bloemfontein (judicial)Acordo de 1910 entre quatro colônias que se uniram; nenhuma quis abrir mão de sua instituição central.
BolíviaSucre (constitucional e judicial), La Paz (sede de governo)A Constituição nomeia Sucre; o Executivo e o Legislativo funcionam em La Paz desde o fim do século XIX.
Países BaixosAmsterdã (capital constitucional), Haia (sede de governo)A Constituição designa Amsterdã, mas governo, Parlamento e cortes internacionais ficam em Haia.
EswatiniMbabane (administrativa), Lobamba (legislativa e real)O Parlamento e a residência da rainha-mãe ficam em Lobamba; o governo, em Mbabane.
MalásiaKuala Lumpur (capital nacional), Putrajaya (centro administrativo e judicial)Putrajaya foi construída nos anos 1990 para descongestionar a capital.
Sri LankaSri Jayawardenepura Kotte (administrativa e legislativa), Colombo (executiva e comercial)O Parlamento mudou-se em 1982 para um subúrbio de Colombo.
ChileSantiago (capital), Valparaíso (sede do Congresso)O Legislativo se reúne em Valparaíso desde 1990.
Costa do MarfimYamoussoukro (oficial), Abidjan (de fato)A capital foi transferida em 1983, mas o governo e as embaixadas permaneceram em Abidjan.
BenimPorto-Novo (oficial e legislativa), Cotonou (sede de governo)A Presidência e a maior parte dos ministérios ficam em Cotonou.
MontenegroPodgorica (administrativa), Cetinje (antiga capital real)Cetinje mantém título histórico e a residência oficial do presidente.
SuíçaBerna (cidade federal)A Constituição não usa a palavra capital, para não dar preeminência a um cantão.
NauruYaren (sede de fato)O país não designa capital; o distrito de Yaren abriga o Parlamento e o governo.

O caso das três capitais

A África do Sul é o exemplo mais citado do mundo e o único com três cidades exercendo funções centrais. A origem está na União Sul-Africana, formada em 1910 pela junção de quatro colônias britânicas. Cada uma tinha sua própria capital e nenhuma queria perder tudo. O acordo distribuiu os poderes: o Executivo ficou em Pretória, o Parlamento na Cidade do Cabo e o Supremo Tribunal de Recursos em Bloemfontein.

Um detalhe costuma escapar: Joanesburgo, a maior cidade do país, não é capital em nenhum sentido — embora sedie o Tribunal Constitucional, criado depois do fim do apartheid. É por isso que, no nosso quiz de casos especiais, três das quatro alternativas dessa pergunta são aceitas como corretas.

Capital constitucional contra sede de governo

O segundo grupo reúne países em que a constituição nomeia uma cidade e o governo funciona em outra. Bolívia e Países Baixos são os casos clássicos.

Na Bolívia, Sucre é a capital pelo texto constitucional e abriga o Judiciário; La Paz recebeu o Executivo e o Legislativo depois de uma guerra civil no fim do século XIX. Nos Países Baixos, a Constituição diz que a capital é Amsterdã, mas quem visita a sede do governo, o Parlamento ou o Conselho de Estado vai a Haia.

A regra prática que usamos: quando a pergunta cita "capital constitucional", a resposta é a cidade da lei. Quando cita "sede de governo", é a cidade onde o Executivo despacha. Quando não especifica, aceitamos as duas.

Cidades administrativas construídas do zero

Um terceiro grupo é mais recente. Em vez de reconhecer um arranjo histórico, esses países construíram uma cidade nova para receber a máquina administrativa, mantendo o título de capital onde estava.

A Malásia ergueu Putrajaya nos anos 1990 e transferiu para lá o gabinete do primeiro-ministro e a maioria dos ministérios; Kuala Lumpur continua sendo a capital e a sede do Parlamento. A Coreia do Sul criou Sejong com propósito parecido, depois que a Corte Constitucional barrou, em 2004, a transferência formal da capital para fora de Seul.

Países que não declaram capital

Há ainda dois casos em que o país simplesmente não nomeia uma capital. A Suíça evita a palavra em sua Constituição e designa Berna como cidade federal, sede das autoridades — uma solução para não colocar um cantão acima dos outros. Nauru, no Pacífico, não tem capital declarada; como o Parlamento e os ministérios ficam no distrito de Yaren, é esse nome que aparece nas listas internacionais.

Como responder sem errar

Três hábitos resolvem quase todos os casos:

  1. Leia o que a pergunta pede. "Capital constitucional", "sede do Executivo" e "onde fica o Parlamento" podem ter três respostas diferentes no mesmo país.
  2. Desconfie da maior cidade. Joanesburgo, Abidjan, Cotonou, Colombo e Roterdã são grandes, conhecidas e não são a resposta esperada na maioria das formulações.
  3. Aceite a pluralidade. Se duas fontes confiáveis divergem, provavelmente as duas estão certas sob critérios distintos.

Para treinar exatamente isso, o quiz Casos especiais reúne dez perguntas construídas sobre esses arranjos.