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História dos nomes

Capitais que mudaram de nome

A cidade continua no mesmo lugar. O que muda é a palavra — e a resposta da prova impressa há dez anos.

Há capitais que mudam de lugar e capitais que mudam de nome. As primeiras estão em capitais que mudaram de lugar. Este texto trata das segundas: a sede continua onde estava, o topônimo não. Em prova, o nome antigo vira alternativa ou, pior, vira o gabarito de um material que ninguém atualizou.

Dois tipos de mudança

O primeiro tipo é político. Um país independente recusa o nome colonial: Lourenço Marques vira Maputo, Salisbury vira Harare, Léopoldville vira Kinshasa, Batávia já tinha virado Jacarta décadas antes. O segundo tipo é comemorativo ou reversível. Astana vira Nur-Sultan e depois volta a Astana. Oslo passou décadas como Christiania. Bisqueque chamou-se Frunze.

A lista

Capitais soberanas que mudaram de nome ainda em função
Nome atualNome anteriorPaísQuando
AstanaNur-Sultan (e, antes da transferência, a sede era Almaty)Cazaquistão2019–2022 no nome; 1997 na mudança de cidade
HarareSalisburyZimbábue1982
MaputoLourenço MarquesMoçambique1976
KinshasaLéopoldvilleRepública Democrática do Congo1966
N'DjamenaFort-LamyChade1973
OsloChristianiaNoruega1925
BisquequeFrunzeQuirguistão1991
DuchambeStalinabadTadjiquistão1961
JacartaBatáviaIndonésia1942–1949, conforme o recorte
PequimPeking, na grafia postal antigaChinatransliteração, não rebatismo local
Ho Chi Minh (cidade)SaigonVietnã1976 — e não é a capital
Naypyidaw— (Yangon/Rangum era a sede anterior)Mianmar2005, mudança de lugar e de nome

A Cidade de Ho Chi Minh entra na tabela como alerta, não como capital: o nome mudou, a sede do governo não. Hanói continua no posto. É o tipo de linha que uma prova maliciosa coloca no meio de um item sobre capitais.

O caso mais recente

Quem estudou entre 2019 e 2022 decorou Nur-Sultan. Quem estudou antes de 1997 decorou Almaty. A resposta vigente é Astana. Três gabaritos, uma cidade nova e uma cidade antiga. Sem a data, qualquer lista está incompleta. O contexto está em Ásia Central e Cáucaso.

A onda africana

Nos anos 1960 e 1970, dezenas de cidades africanas trocaram o nome do administrador colonial pelo topônimo local. Nem todas eram capitais. Das que eram, Maputo, Kinshasa, N'Djamena e Harare são as que ainda aparecem em questões brasileiras, porque os nomes antigos sobreviveram em atlas de escola pública por muito tempo.

Mudança de nome e mudança de grafia

Pequim/Peking, Kiev/Kyiv e Mumbai/Bombaim (esta última nem é capital) confundem o estudante porque parecem rebatismo e muitas vezes são só troca de sistema de transliteração. A cidade não foi rebatizada no idioma local; o que mudou foi a forma que o inglês ou o português escolheu para escrevê-la. Em prova, as duas grafias costumam ser aceitas — a menos que o enunciado peça expressamente a forma usada no Brasil.

O recorte oposto é o rebatismo verdadeiro: Salisbury deixou de existir como topônimo oficial. Quem responde Salisbury para o Zimbábue está datando a resposta em 1981. A mesma lógica vale para Fort-Lamy, Léopoldville e Lourenço Marques. Guardar o ano, mesmo aproximado, impede que um atlas velho ganhe a questão.

Como estudar

Decore o par atual–antigo, não só o atual. O quiz de capitais menos conhecidas e o desafio global cobram vários desses pares. Acompanhe alterações novas na página de correções.

Onde conferir

Os dados deste texto foram conferidos nas referências abaixo. Sempre que uma delas mudar, revisamos o texto e registramos a alteração na página de correções.